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Edição | 22 de Maio de 2010

EDITORIAL

 

Rui Marto

Director

 

Em Itália, de Loreto para Roma, quiseram os organizadores da excursão fazer-nos passar no grande túnel, falavam em treze quilómetros de comprido. Pela primeira vez na minha vida, nunca mais acabava esta travessia, inesperada, de noite, quando fora era pleno dia. Depois de nos entretermos em variada conversa para acelerar o tempo, do que ficava para trás, das nossas histórias pessoais, do português que em italiano teve significado mui nobre, mas que ganhou sentido oposto, mais que pejorativo, finalmente saímos da escuridão do túnel e de novo a luz a confundir-nos depois da escuridão. Foi uma passagem, mas quão sentida presença dos acompanhantes. 

 

Nesta, como noutras circunstâncias, ficam mais sólidas algumas evidências, que importa explorar, estabelecer como base ou quase alicerce deste nosso ser pessoa tão avesso à mudança, com incertezas, dúvidas, mas em confiança. A primeira é a riqueza da presença do outro, dos outros. Fazem-nos falta, constituem-nos em ADN, sejam pais ou irmãos, amigos ou vizinhos, os de longe e os de perto. Faz-nos falta o padeiro, a senhora que nos serve o café, o caixa no supermercado, o acolhimento no centro de saúde, o segurança, o professor, uma chamada de telemóvel a perguntar como estamos e a fazer-nos sentir saudades... quero dizer, todos.

 

A segunda evidência está também na RTP Memória: passou de conjunto de séries e recordações bem antigas à transmissão de aspetos fundamentais de educação para os mais novos. Um cruzar de gerações que já se queriam bem, avós e netos, mas que andavam arredadas, ou porque não tinham tempo, ou porque tinham todo o tempo do mundo, afastados e distantes, agora em frente do mesmo ecrã a sentirem experiências de vida uns dos outros. Por necessidade ou por simples fruir da memória. 

 

Não recordo de ver na rua – terceira evidência – tantos grupos, pequenos é certo, mas fami‐ liares ou amigos de proximidade, a passear, pais e filhos, juntos, sem discutir, lado a lado... ou então a descoberta dos filhos pelos pais e dos pais pelos filhos. A falta que já se sente dos dias passados em casa, pais e filhos e avós, cada um nas suas ocupações, mas a poderem olhar-se, a combinarem trabalhos ou organização dos tempos, a verem juntos um filme, a jantarem à volta da mesma mesa e ao mesmo tempo. Alguns falam de férias... Não, ultimamente as férias não eram assim, um terrível cansaço de quem chegava depois de uns dias de praia ou de montanha, chateados uns com os outros, desertos para voltar a estar longe... Enfim! Fez-nos muito bem ter ficado em casa, crescemos todos, vencemos o medo juntos e as negras espectativas, aprendemos a ser solidários na interajuda do emprego, da escola, dos tempos livres, do pão de cada dia.

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