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Edição | 03 de Abril de 2020

EDITORIAL

Rui Marto, Director

 

Não estamos em tempo de elucubrações filosóficas nem de retórica aparatosa: impõem‑se verdadeira lucidez e conhecimentos técnicos a usar e abusar por todos quantos são chamados ao heróico exercício de combate em todas as frentes contra o vírus pandémico. Como todas as guerras, para serem vencidas, também esta há‑de ser feita com inteligência e acção rápida, e meios apropriados. Não pode perder‑se nem uma só vida. E já se perderam tantas.

 

Lanço aqui o desafio: a comunidade de Fátima não estaria à altura de oferecer um ventilador a um dos lugares mais necessitados? Quem trata? Quem se dispõe a colaborar? Pelo que observa‑ mos, estamos todos parados, ou quase. As despesas continuam e as receitas são puramente nulas. Não seríamos capazes desta singela oferta, quer dizer salvar vidas? Até poderá ser a nossa, quem sabe? Ou a de alguém dos nossos? Vence‑se o medo enfrentando‑o com inteligência e generosidade!

 

Não se anunciam tempos fáceis. Alguns já tendem a cair, desanimados e cansados de esperar que passe tudo depressa. Pois não, estamos a descobrir os alicerces para uma construção nova de sociedade, aquela que nos tem escapado ou a que tentamos fugir, mas sempre desejamos. Cruzar os braços, nunca! Estar atentos e vigilantes, sempre, como quem espera o ladrão e o faz recuar. Verdade seja dita, até agora fomos avolumando sem‑sentidos, famílias sem sentido, instituições sem sentido, empresas sem sentido, ocupações sem sentido e até voluntariado sem sentido. Há um rumo a descobrir, a começar pelos tais alicerces, que ficarão, como todos, bem escondidos, mas permanecerão como fundamento da construção social, da convivência que todos desejamos, com simplicidade e verdade, na amizade sincera e abnegada, na descoberta do rosto do outro, que partilha o mesmo mundo.

 

Não cuidemos do tempo, nem da imagem, do que queremos parecer, não, isso traz vírus invencível e derrocada certa. Mulheres e homens empreendedores, que arregaçam as mangas, nesta construção de sociedade nova, aberta ao futuro e teimosa em deixar aos vindouros o que vale sempre. O caminho não está fechado, pelo contrário, abrem‑se novos horizontes carregados de promessa e de esperança. O tempo de paragem agora em exercício é bom motivo para olhar mais longe, com o abraço estendido aos que se esforçam por salvar vidas, para o futuro.

Bild Corp
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