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Edição | 15 de março de 2024

Editorial

 O Senhor José Figueira, que Deus haja, era uma figura ímpar na freguesia. Já o conheci tardiamente, contudo, como diz o refrão “o que o berço deu a tumba o leva”, manteria na vida as características pessoais no seu percurso de vida. Alguns ainda se lembrarão do ano de 1957, por Janeiro. Organizou-se um cortejo que ficou na história da freguesia, para ajudar a restaurar a igreja matriz. Numa das ações do cortejo houve uns "teatros”, que fizeram sorrir toda a gente. Os artistas eram da terra e desempenharam muito bem, cada um o seu papel. Num dos momentos, aparece o irmão João Figueira com o José Figueira, mais conhecido por ti Zé Tátá. O João pergunta, em palco, ao José: “Que vens fazer?”, ao que o José responde, a coxear, como sempre o conheci, agarrado à sua bengalita: “Venho fazer uma corpabanda!”. Vendo-o a coxear e com esta resposta, foram aplausos e gargalhadas a interromper este drama noticioso. Tratava-se de “fazer propaganda” e não “corpabanda”. Mas deu que falar, como todas as outras iniciativas deste cortejo. O ti Zé Tátá era assim chamado porque, quando chegava a peixeira com as sardinhas a este entreposto de comércio na Maxieira, propriedade do Tátá, ele pegava na corneta e anunciava a chegada de tão precioso néctar, para refeições e merendas. Em toda a população, e até nas redondezas, ouvia-se o toque do clarinete, a famosa corneta que ainda hoje existe nos herdeiros do ti Zé Tátá, e logo seguia como que uma procissão até à “loja do Tátá” para levar para casa o conduto de algumas refeições. Claro que havia na aldeia muita tranquilidade para se poder ouvir o som do clarim, mas não há dúvida que anunciava a notícia, despertava as mulheres mais distraídas, e também alguns homens... e a população era alimentada. Recordar o ti Zé Tátá, nos dias de hoje, pode ajudar-nos a entender que é preciso, talvez, de novo, um corneteiro, ou uns corneteiros, para acordar, alimentar, pacificar o ambiente por vezes revolto, insensível ou acomodado; para estabelecer diálogo interrompido ou progresso por fazer.

Rui Marto

Reativa
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