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Edição | 23 de Outubro de 2020

EDITORIAL

Rui Marto

 

“E também as memórias gloriosas 

Daqueles Reis, que foram dilatando

A Fé, o Império, e as terras viciosas

De África e de Ásia andaram devastando;

E aqueles, que por obras valerosas

Se vão da lei da morte libertando;

Cantando espalharei por toda parte,

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.”

(Luís de Camões, canto I, estância 2)

 

O nosso maior poeta tinha entranhado bem na memória dos afectos e das contingências do seu tempo os homens e as façanhas que no momento se tinham julgado necessárias, mesmo que, hoje, possam ser recordados com algumas reservas. Como sempre assim é!

 

As romagens aos cemitérios, mesmo que com restrições, as flores e as velas acesas, tentam exprimir a saudade, o afecto para com aquelas e aqueles, familiares ou amigos ou conhecidos, que há mais ou menos tempo deixaram o convívio dos viventes, terminaram as façanhas, se tornaram defuntos, isto é, sem funções, mas que permanecem inteirinhos nas fotos impressas ou no coração. E são muitas e muitos, tantos quanto possa abranger a recordação.


A romagem ao cemitério é sempre uma dor, uma saudade, mas também um canto de gratidão que desejaríamos espalhar por toda a parte, em todos os ecrãs do mundo. E o tempo decorrido funciona como crivo para termos melhor percepção dos que “perdemos”, e sobrepor o valor das suas pessoas e suas realizações no tempo e no espaço que viveram. Uns bem conhecidos de todos, que ficaram nos registos da posteridade, outros no anonimato, mas que, mesmo que não tenhamos a capacidade de abarcar a todos, continuam, estão aí. E o canto do poeta é para todos e a obrigação de espalhar por toda a parte, com todo o engenho, sabedoria, arte. Aqui, percebemos as inevitáveis variações do engenho e da arte, não fossemos nós limitados!

 

Passados uns meses da sua partida, queremos fazer solene vénia ao nosso grande impulsionador, do desenvolvimento da nossa terra, do nosso Notícias de Fátima: o Senhor Albino Frazão. Falta‑nos o jeito, o engenho, a arte, próprios dos poetas e dos cantores, mas a simplicidade, afabilidade e familiaridade de contacto com que sempre nos brindou, certamente nos permite a singela evocação da sua memória, neste editorial deste jornal que ele criou e acompanhou por mais de 30 anos. Não é isto obra valorosa? Este breve texto não é capaz de conter todos os nomes,
mas o do Senhor Albino queremos que figure uma vez mais neste mês de saudades. Já que as palavras, ou a música, ou a arte nos são deficitárias, ao menos cantemos com a alma.

 

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