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Purificação Reis espera que 2022 traga a estabilidade necessária à retoma do turismo

21-01-2022
Virámos a página de mais um ano, mas 2022 continua a estar fortemente marcado pela pandemia Covid-19, que tantos estragos tem causado no turismo. Neste cenário de incerteza, quisemos saber quais as expectativas da presidente da Aciso – Associação Empresarial Ourém – Fátima, Purificação Reis, para este sector.

Notícias de Fátima (NF) - É possível fazer um balanço do ano turístico de 2021?

Purificação Reis (PR) - O ano de 2021 iniciou envolto em grande incerteza e com significativos constrangimentos, marcado desde logo pelo segundo período de confinamento, o que acentuou as dificuldades do sector já transitadas do ano de 2020. O primeiro semestre foi, em geral, muito fraco e apenas no Verão se começou a fazer sentir um regresso de algum fluxo turístico com significado. Inesperadamente os empresários confrontaram-se com uma grande dificuldade no recrutamento de trabalhadores para constituição das equipas de trabalho, o que se revelou uma dificuldade acrescida para o restabelecimento da actividade neste período. Dada a já tradicional sazonalidade do turismo de Fátima e a crescente evolução dos casos de contágio pela nova variante ómicron, depressa os empresários se viram confrontados com um Inverno doloroso, que entrou por 2022 adentro. Globalmente o ano de 2021 foi um pouco melhor que o terrível ano de 2020, mas ficou muito aquém das expectativas e das necessidades dos empresários do sector. O ano de 2021 foi, de facto, um ano de regresso, ainda muito tímido, de turistas a Fátima, essencialmente turistas nacionais.

 

NF - Relativamente ao novo ano, ainda fortemente marcado pela pandemia, que expectativas tem para o turismo de Fátima?

PR - As expectativas são de que o ano de 2022 nos possa trazer, sobretudo, a estabilidade nacional e internacional necessária à retoma do turismo em geral e do turismo religioso em particular.  Não é possível continuarmos neste quadro de recuos e avanços; de novas regras que entram em vigor no dia seguinte; de uma ausência total de segurança para planear a operação turística. É certo que as pessoas precisam e querem viajar, mas precisam de o fazer com segurança e conhecendo quais as regras que terão que cumprir, num horizonte temporal que cubra o timing da viagem planeada. Não obstante Portugal ser o País com maior percentagem de população completamente vacinada (89,9%), verificamos que estamos a registar um crescimento muito acentuado de infecções. Estamos em 10.º lugar na lista dos 45 países europeus com mais casos por cada milhão de habitantes. Estes dados são preocupantes na medida em que são altamente condicionadores da tomada de decisão de viajar para Portugal. Esperamos que esta alta taxa de contágio possa simultaneamente vir a contribuir para uma maior imunidade da população portuguesa e para uma acentuada diminuição futura do número de casos. No fundo, esperamos que esta situação que agora constrange nos venha a permitir, ainda, ter um bom ano turístico de 2022.

 

NF - Quais são as principais preocupações da Aciso relativamente a este sector?

PR - As principais preocupações da Aciso vão no sentido da manutenção das empresas em funcionamento. Apoiamos os empresários em tudo o que está ao seu alcance nesta longa e difícil travessia, de forma a que as empresas se consigam manter em actividade. Temos ajudado na implementação de todas as regras e procedimentos e temos identificado, junto do Governo, a necessidade de novas medidas de apoio ao sector, nomeadamente de um novo programa Apoiar.pt que ajude as empresas a manterem-se em actividade. É também necessário que haja ajudas do governo na redução da elevada carga fiscal a que os empresários estão sujeitos e ajudas para minimização dos elevados custos com combustíveis e electricidade, entre outros. Os empresários têm lutado para manter as suas empresas em funcionamento e para manterem os seus postos de trabalho, demonstrando uma enorme resiliência e, naturalmente, necessitam de mais apoios para que o consigam fazer por mais tempo, neste quadro de adiamento sucessivo da retoma do sector.

 

NF - Quais os planos da Aciso para o sector?

PR - A Aciso está apostada em ajudar os empresários do sector a retomarem a normalidade da sua actividade. Está apostada em continuar o seu esforço de promoção do turismo religioso e do destino Fátima, ajudando os empresários no restabelecimento dos contactos de negócio. Iremos realizar o X Internacional Workshop of Religious Tourism, esperando que este evento seja uma grande oportunidade para impulsionar a operação turística para Fátima e para toda a região centro de Portugal. Também prosseguiremos com um conjunto de actividades de promoção do turismo religioso a efectuar em diferentes mercados internacionais. A nível local, temos também prevista uma acção de capacitação sobre os Caminhos de Fátima para que os empresários melhor possam promover este importante produto turístico.

 

Salientamos ainda o importante papel na capacitação das equipas de trabalho, neste e noutros sectores de actividade, com a diversificada oferta formativa que temos em curso, adaptada ás necessidades das empresas.

 

Dada a escassez de oferta de recursos humanos para o sector (problema de âmbito nacional) torna-se ainda fundamental o desenvolvimento de um trabalho colectivo na dignificação das profissões do sector do turismo para que se venha a conseguir contar com recursos humanos qualificados que dêem a necessária garantia de qualidade dos serviços prestados.

 

Estamos confiantes que, a partir de Maio de 2022, consigamos voltar a contar com significativo regresso do fluxo turístico e que 2023, com a vinda do Papa Francisco a Fátima, no âmbito das Jornadas Mundiais da Juventude, traga o necessário alento e motivação.