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Jorge Perfeito

3 de dezembro, 2021

Olhar de Frente - Ver Diferente (A República Dos Disparates)

1. A corrupção é um pecado velho como a humanidade. Como todos os outros. Pensar que um dia acabará, é da dimensão da utopia. O que não quer dizer que não devamos denunciá-la e insurgir-nos contra ela.

 

Nas últimas semanas a incandescência dos holofotes voltaram de novo a iluminar o assunto, apenas interrompido pelas notícias das eleições internas de um partido político e pela nova variante do vírus (Ómicron). Dois anos após o surgimento do primeiro caso na província chinesa de Wuhan. E nunca mais se ouviu falar da China a respeito disso. Agora veio de África, o continente mais pobre e com mais baixa taxa de vacinação. Coincidências. Ainda não se sabe muito sobre esta variante, com umas dezenas de casos espalhados por vários países europeus. (Só em Portugal, 13. De uma equipa de futebol, que jogou aqueles 47 minutos, no passado fim-de-semana.). Outro disparate que ocupou as parangonas e abriu telejornais. A Europa tem 750 milhões de habitantes. Suspenderam-se voos e decretaram-se quarentenas. Enfim.

 

Voltando à corrupção e aos corruptos, o que nos surpreende e dá vontade de rir, é que quase todos fazem parte da nossa nobre elite e quase todos, foram em tempos condecorados e feitos comendadores. Banqueiros e mecenas, dirigentes desportivos, militares e tropas de elite. Não bastara Tancos, agora temos operação Miríade. Depois gera-se a confusão e pergunta-se se o PR deveria ou não ter sido informado pelo ministro. Só disparates. Ainda bem que não foi informado. Isso seria espantar a caça no decurso da investigação. Ainda por cima com um PR que tem o péssimo hábito de falar pelos cotovelos. Assim, deixá-los condecorar e a seguir apanhá-los com a boca na botija. Simples, não é? E logo Marcelo veio dizer que o erro, provavelmente, teria sido dele.

 

A seguir, houve aquela do banqueiro condenado e fugido à justiça. O personagem, a quem não se conhecem especiais dotes oratórios, veio dizer que o seu amor pela mulher não consegue competir com o das 3 cadelas (a Joana, a Clara e a Boneca) que deixou em Portugal. Que irá processar o estado português em 30 milhões de euros, por danos e prejuízos, E que só regressará a Portugal se o PR lhe der o indulto. Só visto. Mas os disparates não ficaram por aí. Logo a seguir, o PR veio esclarecer que tal pedido estaria fora de prazo. Nada escapa ao crivo justificativo do presidente, comentarista, jurista, constitucionalista, penalista, processualista. Quase só faltou dizer que se o pedido tivesse sido atempado, talvez houvesse hipótese de se safar.

 

2. Para quem goste de se entreter a construir e desconstruir as mais variadas teorias da conspiração, a par de se divertir com a mediocridade da nossa política-espectáculo - que mais parece um reality show -, o que nos ocorre dizer acerca das eleições no PSD, foi que redundaram num imenso fiasco. Digam o que disserem, foi uma humilhação para Rangel, que desta feita, enfia a viola no saco e ruma de novo a Bruxelas. Humilhação, também, para todos os que o apoiaram, mesmo que de forma encapotado. Barões e tubarões, caciques e baronetes, das distritais e das concelhias, e por aí fora; até ao próprio PR, que fez questão de o receber, à sorrelfa, enquanto se discutia o orçamento, no parlamento que depois iria dissolver. Convém que se torne mais contido. Não fosse o caso de ser presidente, ainda acaba como pivot em algum programa da Cristina Ferreira. Francamente.

 

Muito legitimamente, apetece-nos perguntar. A quem é que tudo isto interessa? Quais os lobbies, grupos de interesses, favorecimentos, compadrios e o diabo a quatro, se ocultam, por detrás de tão sinuosas estratégias, que depois resultam nesta vergonha? Com tanto disparate junto e em tão pouco tempo, até nos dá a sensação que o Carnaval se antecipou à quadra natalícia. Será das alterações climáticas?

 

Tenham uma boa quinzena e um bom começo de boas festas.

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