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Jorge Perfeito

24 de setembro, 2021

Olhar de Frente – Ver Diferente (Novos tempos e novas vontades virão)

As eleições autárquicas deveriam ser as mais importantes para a generalidade dos cidadãos, derivado da especial proximidade que se estabelece entre eleitores e eleitos, e dizerem directamente respeito às mais imediatas necessidades da comunidade em que estamos inseridos. Os eleitos, por sua vez e paradoxalmente, teimam em continuar completamente alheados desses assuntos. No que respeita aos partidos políticos tradicionais, os candidatos apresentam-se a sufrágio sem programa que mereça discussão. Cumprem apenas calendário. Nada de realmente importante e essencial se discute, se questiona, e muito menos se propõe: ambiente, mobilidade, sustentabilidade, inovação, educação, etc. Tudo assuntos da maior importância, e cada vez mais nos tempos que correm. Só falam da bazuca. Como diz o velho ditado: Fazem conta com o ovo no cu da galinha. Para quê o esforço se já se sabe quem vai ganhar? O deserto de ideias é confrangedor. São antros vazios, encapsulados e enredados em particulares teias de obscuros interesses e jogos. Carecem de profunda reestruturação, na metodologia e no pensamento. Por isso, que cada vez mais se abre o espaço de intervenção aos movimentos cívicos de independentes, para lembrarem o exercício dos deveres de cidadania que a meia dúzia de caciques “Iluminados”, não fazem, refastelados na cadeira do poder local, onde se vão perpetuando, às vezes de forma hereditária. Seja qual for o resultado destas eleições, não é de todo desejável uma maioria absoluta, dado terem sobejamente demonstrado a sua incompetência e falta de respeito para com os cidadãos, não merecendo, portanto, a total confiança dos eleitores. Só evitando essa maioria absoluta e elegendo outros pares, lograremos novos equilíbrios, por forma a serem devidamente escrutinados todos os actos, em nome do rigor, da seriedade e da transparência.

 

De há quatro anos a esta parte, procurámos suscitar o debate e questionar órgãos autárquicos, partidos políticos e a opinião pública, a propósito das carências de Fátima e acerca de coisas tão importantes como, a instalação de uma loja do cidadão, a localização do quartel dos bombeiros, mais autonomia para Fátima, a criação do concelho, etc. Não nos ocorre que alguma vez a oposição tenha vindo a terreiro pugnar por essas causas. Limitaram-se a vir à boleia, por arrasto. A Junta de Freguesia, que desde o início ignorava, e chegou mesmo a opor-se, despertou dissimuladamente para o problema e veio emendar a mão, acabando por criar e instalar esse espaço na própria sede. Portanto, valeu a pena a insistência e termos falado disso.

 

Quanto à maior autonomia e há questão do concelho, o tempo passou e nunca os partidos vieram a terreiro dizer o que quer que fosse a esse respeito. Agora, com as eleições à porta, vieram arengar umas justificativas mal-amanhadas e sem substância, deferindo o debate para daqui a mais 4 anos. Uma vez mais. Salvo a honrosa excepção da CDU, que desde sempre se manifestou favorável, todos os outros se pronunciaram de modo não assumido e hesitante, quando não, mesmo contra. E neste último sentido registou-se um facto curioso: o presidente da Câmara, Albuquerque filho, afirmou solenemente, qual oráculo de superiores desígnios, que tal questão não é sequer uma prioridade nacional; Albuquerque pai (antigo e ex-presidente da CMO), por sua vez, veio, dizer em uma entrevista que Ourém só beneficiaria com a separação de Fátima do restante concelho.

É muito comum em política jogar-se com pau de dois bicos. Mas vindo de quem vem, pelos cargos e funções que desempenharam e desempenham, embora deferidos no tempo, convenhamos que a desfaçatez é absolutamente total.

 

Por último, a polémica à volta das pedreiras, que resultam num prejuízo efectivo em desfavor das nossas populações, e, portanto, da freguesia, tornou-se de tal modo insustentável, que ganhou dimensões de escândalo e de pura roubalheira. Fátima e os fatimenses foram completamente ignorados e postos de lado, esbulhados e espoliados do seu património natural e ancestral, mais que centenário, em benefício das negociatas, do favorecimento e dos compadrios, da pura ganância e do lucro desmesurado de uns poucos, em que estão envolvidos responsáveis autarcas que ocupam lugares de proeminência na CMO e na AMO, e respectivos acólitos.

 

Votem conscienciosamente, votem bem.

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