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Jorge Perfeito

7 de outubro, 2021

Olhar de Frente – Ver Diferente - Rescaldos de água fria

Se bem entendi das declarações dos líderes políticos, nestas eleições autárquicas só houve vencedores e não houve vencidos. O PS, como se esperava, venceu, mas não convenceu e desceu um bocadinho; a direita, isoladamente ou coligada, não desceu tanto como se chegou a prognosticar e até subiu um poucochinho. A abstenção aumentou de novo, mais de quarenta e oito por cento, o que é preocupante e retira autoridade aos partidos. Porque de facto, como é que podem aclamar-se destas vitórias pírricas, proporcionalmente fraccionados por menos de cinquenta por cento do eleitorado, descontados os votos brancos e nulos? António Costa acusa o desgaste natural de duas legislaturas seguidas em minoria, facto absolutamente inédito na história do Portugal democrático. Rui Rio não consegue afirmar-se como alternativa, mas lá se vai aguentando. Parece aquele pugilista dos filmes, que encostado às cordas, leva sopapos de todo o lado e acaba sempre por ser salvo pelo gongo no último minuto do assalto. Ah, e as sondagens erraram de novo.

 

A par de tudo o que se passou, houve uma coisa que me irritou solenemente e provou mais uma vez sermos um país provinciano, essa doença infantil que Fernando Pessoa criticava a Mário de Sá Carneiro. É que a partir de uma certa hora, os resultados deixaram de interessar e passou a dar-se relevância exclusiva à surpresa que constituíram os resultados alcançados por Carlos Moedas na capital do país. Confirma-se, realmente, que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem. Ridículo. Não há pachorra. Por cá pelo, os resultados também não constituíram grande surpresa. O PS
sofreu humilhante derrota, como se previa, derivado dos motivos sobejamente conhecidos, que nem vale a pena voltar a falar disso. Digamos, que passaram oito anos sem fazerem oposição, sem saberem apresentar-se como alternativa e a enganarem-se e a mentirem a si próprios. Sim, oito anos a enganarem-se e a mentirem a si próprios, porque a inépcia já vinha de trás, do último mandato. Agora, que oposição esperar para os próximos quatro anos, do único vereador eleito, no meio dos outros seis? Será que dá para desempatarem em alguma coisa?

 

Por outro lado, ficamos com alguma curiosidade em saber quanto valerá realmente o CDS, nos dias de hoje, atenta a expressiva votação no Chega. Num enclave tremendamente conservador e atrasado, como é o concelho de Ourém, que em 1979, chegou a eleger dois vereadores do PDC – Partido da Democracia Cristã, quando este partido era nitidamente conotado com a extrema direita. É uma questão que nos faz espécie. Finalmente, porque desta vez pouco mais há a dizer, seria recomendável que os maioritariamente reeleitos, passassem a tomar uma postura diferente, mais séria, responsável e transparente, para justificarem a confiança neles depositada pelos eleitores que os elegeram. 

 

Vamos ver o que nos espera.

Tenham uma boa quinzena.

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