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Jorge Perfeito

4 de junho, 2021

Olhar de Frente – Ver Diferente (Segredos e mistérios calcários - e o centenário de Edgar Morin)

  1. As recentes notícias acerca dos deputados João Moura (PSD) e António Gameiro (PS); as investigações e buscas pelos órgãos da polícia criminal junto da CMO, junta de freguesia de Fátima e residência do seu presidente (facto absolutamente inédito por cá), vieram colocar a nu toda a tramóia de compadrios e jogos de interesses, assuntos relativamente aos quais vínhamos alertando e escrevendo de há tempos a esta parte. Longe de constituir surpresa, foi a confirmação de todas as suspeições, tais as flagrantes evidências. A exploração desenfreada das pedreiras, a duvidosa aprovação do interesse público municipal; a metodologia aplicada nas concessões atribuídas, mais uma vez à custa de Fátima e em sacrifício dos fatimenses. A desafectação de caminhos vicinais centenários; a intenção de apropriação dos baldios por parte da junta de freguesia, com intenção de os alienar. As negociatas na aquisição de terrenos a particulares, que rapidamente passam para nomes de pessoas bem conhecidas. Para depois os lotearem e revenderem, assim que for criada e aprovada uma zona industrial. Pelos vistos, vai haver duas. Uma em cada ponta limite da freguesia. A opacidade e falta de informação na forma como estão com o PUF. Tudo se conjuga no sentido do favorecimento, do compadrio e da corrupção oculta.

Se é certo que ninguém é santo, nem mesmo por estas bandas, e que como se costuma dizer, “dinheiro e santidade, é sempre menos do que a metade”, também é certo, que muito ficam a dever em termos de seriedade e idoneidade. A absoluta falta de transparência é encoberta pelo manto diáfano e esbranquiçado do pó que se solta da exploração das pedreiras, ou da alvura das indumentárias com que aparecem em certas festas megalómanas.

Por isso, é imperioso e premente discutir a criação do concelho de Fátima, durante a campanha para as próximas eleições autárquicas, a par destas e de outras coisas relevantes que nos devem interessar.

2. No próximo dia 8 de Junho, Edgar Morin celebrará 100 anos de vida, se a mesma lhe correr de feição. Sociólogo e livre pensador, continua dono de uma invejável lucidez de raciocínio, a julgar pela última entrevista que lhe li há menos de um ano. Teórico da modernidade e da chamada corrente do pensamento complexo e transdisciplinar, aliando as ciências sociais e humanas às ciências exactas, em que a política, o direito, a economia, a filosofia, a sociologia, a antropologia, interagem com a matemática, a física, a biologia e todas as demais ciências naturais e empíricas, vem desde há décadas alertando para os problemas sociais, ambientais e civilizacionais que afectam a humanidade, como os que estamos a viver actualmente. O mundo mudou, nada será como dantes. Desengane-se quem pensar o contrário ou ficar arreigado a atavismos. Não há outra solução que não a de trilharmos os novos caminhos e avançarmos em conjunto nas próximas décadas deste século, depositando esperança nas gerações mais novas e nas vindouras, para que o mundo fique melhor do que aquele que herdámos, que não melhorámos, e complacentemente deixámos, continuasse a destruir-se.

No advir dos novos tempos, é preciso reaprender a reflectir.

Tenham uma boa quinzena.

 

 

 

 

 

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