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José Poças

8 de outubro, 2021

Do poder autárquico ao 5 de Outubro

É impossível fugir a uma análise dos resultados autárquicos. Permitam-me só duas ou três reflexões, baseadas em estatísticas.

 

A vitória local de Humberto Silva e da sua equipa, com 62,5 % dos votos expressos é indiscutível. O PS ficou-se pelos 17 % e o MOVE obteve 10,5 %. Tudo normal em democracia, com uma aposta clara dos fatimenses num terceiro e último mandato do actual presidente da Junta.

 

O que é surpreendente, pela negativa, é a percentagem de abstenção, que rondou os 48,5 %. Significa que quase metade da população da freguesia de Fátima que poderia (e deveria) votar, não se interessa propriamente pelo futuro da nossa terra. E isso é grave. Há uma demissão total do direito de cidadania que é preocupante,

 

Na eleição para a Câmara Municipal, a maior diferença de votos entre a vencedora Coligação Ourém Sempre (PSD e CDS) e o PS (que ficou em segundo lugar) foi em Fátima com 2534 votos a separar as duas formações políticas, a que se seguiu Nossa Senhora das Misericórdias com 1310 e a União de Freguesias de Freixianda, Ribeira do Fárrio e Formigais, com 1139 votos de diferença. Ou seja em Fátima a diferença dos votos foi superior à soma das freguesias que ficaram em segundo e terceiro lugar, que totalizam 2449 votos.

 

Por outro lado, se tivermos em conta os eleitores e analisarmos as eleições de 2017 e as deste ano de 2021, a freguesia de Fátima foi a única que aumentou o número de inscritos (mais 433 pessoas) enquanto em todas as outras 12 freguesias houve uma diminuição, que correspondem a uma perda de 1787 votos (cerca de 4,4% dos inscritos de todo o concelho).  

 

Sem querer aprofundar muito esta estatística e lembrando também a grande vitória de João Moura para a Assembleia Municipal, as conclusões são simples. Não é só a nível económico que a nossa freguesia é preponderante no concelho. O peso demográfico que vamos tendo deveria merecer um olhar mais aprofundado de quem nos governa a nível concelhio. Embora reconhecendo o empenho e dedicação de Luís Albuquerque, há neste mandato uma maior exigência em relação às necessidades da freguesia de Fátima.

 

Mudando de assunto, embora reconhecendo que posso estar a ser um pouco polémico,  e sendo um republicano assumido, continuo a não perceber porque se celebra com tanta pompa e circunstância a implantação da República. A mudança da monarquia para a República não trouxe a melhoria para o povo português. Basta lembrar que durante a Primeira República houve uma instabilidade política quase permanente (em16 anos Portugal teve 45 governos), foram assassinados um presidente da República e um primeiro ministro, entrámos na Primeira Grande Guerra, houve uma perseguição feroz à igreja católica (com ligação às Aparições de Fátima), etc, etc.

 

Seguiu-se o período do Estado Novo até ao 25 de Abril de 1974, o que também não abona nada a República. No fundo estamos apenas a celebrar os ideais e a doutrina republicana, infelizmente muito afastados da realidade da época.

 

O engraçado (ou não) é que passa despercebido para a maioria dos portugueses que foi a 5 de Outubro de 1143 que foi celebrado o tratado de Zamora. Nesse dia, D. Afonso Henriques, com 34 anos de idade, encontra-se com seu primo D. Afonso VII de Leão e Castela, que o reconhece como Rei de Portugal. Ou seja, a assinatura deste tratado transformou Portugal num reino independente, o mais antigo país da Europa.

 

Apenas pormenores legais com a Santa Sé adiaram mais trinta e seis anos o reconhecimento religioso, através da Bula “Manifestis probatum” do Papa Alexandre III, a 23 de Maio de 1179, já com D. Afonso Henriques tendo a respeitável idade de 69 anos, a pensar na sucessão e longe dos campos de batalha.

 

 

 

 

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