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José Poças

16 de abril, 2021

Os 50 anos da cidade de Fátima - I Parte

Não, não é uma gralha ou sequer um erro de quem escreve esta crónica. Todos sabemos que a cidade de Fátima, em 2022, vai comemorar apenas 25 anos. A Assembleia da República aprovou, por unanimidade, o projecto lei 270/VIII do Partido Social Democrata (curiosamente proposto pelo pai do actual presidente da Câmara, Professor Mário Albuquerque) que elevou Fátima à categoria de cidade em 4 de Junho de 1997 e o presidente da República Jorge Sampaio (sim, o mesmo que vetou o concelho de Fátima) ratificou-o. Assim, pela Lei n.º 42, de 12 de Julho de 1997, deixámos de ser vila.

Para o ano comemoram-se então 25 anos. É tempo de pensarmos no balanço, mas sobretudo de arregaçar as mangas e aproveitar esse quarto de século para reflectirmos, sobre o passado, o presente, mas sobretudo o futuro que queremos. De nada servirão os discursos bonitos de ocasião, uma ou duas iniciativas para lembrar esta data, se não se perspectivar o que queremos em 2047. E portanto aquilo em que devemos estar focados para o ano é nas comemorações dos 50 anos da cidade. Debater o legado que queremos deixar, o que fazer nos próximos 25 anos em prol de quem habita ou de quem visita Fátima.

Não é por acaso que uma velha expressão portuguesa “feito em cima do joelho” se aplica muito frequentemente quando falamos do crescimento urbanístico local. Na Roma Antiga, os artesãos moldavam o barro para as telhas em cima das suas próprias coxas. Como a constituição física era diferente as telhas, depois de cozidas e secas, apresentavam-se com tamanhos e formas diferentes, a menos que tivessem sido todas moldadas pela mesma pessoa. Por esse motivo, os telhados quase sempre apresentavam deficiências e permitiam infiltrações das águas das chuvas. A expressão vulgarizou-se e ainda hoje se diz, de um trabalho ineficiente ou defeituoso, seja de que natureza for, foi feito em cima do joelho.

É um pouco o que se tem feito em Fátima, apesar das boas vontades. Têm-se resolvido situações pontuais, ao ritmo do imediato ou do curto prazo. A nossa cidade é um caso muito particular, que tem escapado à lógica do urbanismo. Relembremos que em 1900, a nossa freguesia contava apenas com 2.044 habitantes. Das então nove freguesias do concelho de Ourém, somente três possuíam um número de habitantes inferior a Fátima. Como afirmou o arquitecto Erich Corsépius, a cidade além de ter nascido a partir de um evento distinto, os seus elementos estruturais e características de ocupação também se diferenciam de outras cidades-santuários.

Até 1917 a Cova da Iria era um lugar ermo. Devido às Aparições, o local foi obrigado a desenvolver-se, como meio de responder às necessidades do grande número de peregrinos. A um primeiro período de desenvolvimento até 1948, seguiu-se uma segunda fase até 1997, em que houve uma expansão urbana acentuada. Foi aprovado pelo Ministério de Obras Públicas, um anteplano urbanístico para Fátima. Pela primeira vez houve uma enfoque nas necessidades infra estruturais do conjunto urbano e da população local.

Em 19 de Agosto de 1977, Fátima foi elevada à categoria de vila, 60 anos passados sobre as Aparições. O aglomerado urbano era composto pela Cova da Iria, Moita Redonda, Aljustrel e Lomba de Égua e ainda pelos povoados periféricos de Casa Velha, Eira de Pedra e Moimento.

Passados mais vinte anos, em 12 de Julho de 1997, Fátima foi elevada à categoria de cidade. A actual cidade é constituída pela Cova da Iria, Fátima (onde se encontra a sede de freguesia), Moita Redonda, Lomba de Égua, parte de Aljustrel e Moimento.

Chegou o tempo de reflectirmos sobre o presente da nossa cidade e dos problemas, anseios e projectos para o futuro. Um debate que se pretende sereno e enriquecedor, que ponha os interesses comuns à frente de quezílias partidárias, feitas em cima do joelho.

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