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José Poças

6 de November, 2020

Pandemicamente vamos indo

O fim de semana passado, o governo anunciou, como forma de combater a pandemia, que seria proibido circular entre concelhos. Esta medida pretendeu evitar a propagação do vírus, evitando aglomerações de pessoas nos cemitérios. Como todos sabemos, a Igreja Católica celebra anualmente, a 1 de Novembro, a solenidade litúrgica de Todos os Santos e no dia 2 de Novembro tem lugar a “comemoração de todos os fiéis defuntos”, que remonta ao final do primeiro milénio. Foi o Abade de Cluny, Santo Odilão, quem, no ano 998, determinou que em todos os mosteiros da sua Ordem se fizesse nesta data a evocação de todos os defuntos “desde o princípio até ao fim do mundo”. O Vaticano oficializou esta data no século XIV, mas foi só durante a I Guerra Mundial, em 1915, que o Papa Bento XV generalizou esse uso em toda a Igreja Católica.

Escusado será dizer que as televisões nacionais iniciaram o telejornal com reportagens no terreno, supostamente a partir dos locais mais críticos do país. Curiosamente, ou não, duas delas deslocaram-se a Fátima (cá vamos nós mais uma vez). Logo a abrir o telejornal, um brilhante repórter, numa esplendorosa intervenção em directo da rotunda norte (e não sul como disse), depois de referir que tudo estava a correr bem, pôs a enfâse numa notícia relevante e bombástica. Com ar compenetrado, salientou que o forte dispositivo da GNR apenas foi obrigado a fazer regressar a casa dois carros de habitantes da Loureira. Assim abrem os telejornais deste país.
Deixando de lado a caricatura da notícia, nesta pandemia que a todos afecta, com consequências económicas gravíssimas, é bom lembrar que vivemos num país que é o 5º mais envelhecido do mundo, apenas atrás do Japão, Itália, Grécia e Finlândia. E também é bom não esquecer que toda a proliferação de lares ilegais no nosso país se deve apenas ao facto de o Estado não ter a capacidade de cuidar, como devia, das pessoas idosas. É estranho perceber porque é que os partidos políticos discutem tanto (e bem) o Serviço Nacional de Saúde, mas que ninguém questione onde estão os serviços sociais do Estado para as pessoas idosas.
Para os mais distraídos, convêm lembrar que estes idosos são a geração que nasceu na Grande Depressão, sofreu com os efeitos da carestia de vida provocada pela Segunda Grande Guerra, viveu sob uma ditadura salazarista, viu os seus filhos partirem para a guerra colonial (e muitos não regressaram), assistiu a duas intervenções do FMI em Portugal, etc, etc. São estas pessoas que sempre trabalharam e lutaram, pagando os impostos, para deixar um mundo melhor aos seus filhos e netos, que agora são esquecidos pelo Estado, que não tem uma rede de solidariedade nacional que lhes proporcione uma vida digna, nesta fase em que são confrontados com situações delicadas, como o isolamento social, doenças crónicas, perda da independência motora, etc, etc
E já que falamos do Serviço Nacional de Saúde, ficámos a saber pelos relatórios oficiais, que o suposto “milagre” tão propagado pelo Governo no combate à primeira fase da pandemia se deveu afinal a uma logística assumidamente malabarista. Para fazer face à pandemia, 1 milhão e 200 mil consultas e 230 mil cirurgias ficaram por fazer entre Março e Agosto. Segundo o relatório, a falta de assistência a estes doentes poderá ser responsável por mais de 6000 mortos. É este o êxito do Serviço Nacional de Saúde?

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