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José Poças

18 de junho, 2021

Reflexões sobre a nossa Fátima


Neste mundo ainda dominado pela incerteza causada pela pandemia, vamos tendo cada vez mais a noção de que muita coisa não ficará como dantes. Em primeiro lugar a nossa relação com o trabalho. Percebeu‑se claramente que é possível em muitos empregos substituir‑se o factor presencial pelo trabalho à distância. Fátima pode beneficiar desta “revolução” se houver uma visão estratégica de atracção de pessoas. Aprenda‑se com algumas cidades do interior que montaram infra‑estruturas e reforçaram a rede da internet, apostando na divulgação do seu território. A título de exemplo (e porque é uma realidade que conheço bem) os Municípios do Fundão e o de Idanha a Nova têm feito uma renovação notável da sua população, atraindo quer quadros técnicos qualificados, quer empresas ligadas às novas tecnologias. Recorde‑se que grande parte da nossa freguesia é rural e tem um potencial enorme para atrair e fixar pessoas que querem “fugir” das grandes cidades. Nem será necessário lembrar a nossa posição geográfica estra‑ tégia no centro de Portugal.

 

Contrariamente aos profetas da desgraça, Fátima tem vindo a recuperar (lentamente é certo) o seu fluxo turístico, marcado essencialmente por peregrinos e turistas portugueses e espanhóis. Sofrendo ainda com a quase ausência de grupos organizados estrangeiros, o certo é que se está a reforçar um nicho de mercado familiar nacional. Temos de ser capazes de potenciar a nossa oferta com o poder local (e não estou a falar das 10001 noites, já que é cedo ainda para se fazer o balanço desta iniciativa camarária) de forma a complementar a vinda à nossa cidade com o turismo gastronómico, de aventura, desportivo, cultural, etc, etc. Como já escrevi numa outra crónica, todos poderiam beneficiar (unidades hoteleiras, restauração, comércio, associações,…) se conseguíssemos criar um plano anual de proposta de actividades (com um grande evento mensal) que , bem divulgado, possa paulatinamente vir a atrair e fidelizar quem nos visita.

 

Para que isso aconteça é necessário haver uma estratégia de futuro e não simples propostas eleitoralistas, mais ou menos do agrado de todos. Lembro a propósito a anedota que se conta sobre um candidato inflamado que propunha para a sua terra uma ponte enorme, à semelhança da Ponte Rialto, em Veneza, que atrairia inúmeros visitantes. Tentando travar tanto delírio, sussurrou‑lhe ao ouvido um seu correligionário ‑ “Mas nós nem sequer temos um rio” ‑ ao que o candidato dominado pela sua retórica, respondeu de pronto ‑ “Não faz mal, depois de fazermos a ponte, arranjamos maneira de desviar para aqui um rio”.

 

O maior problema das grandes infra‑estruturas é o custo da sua manutenção. Todos nós nos lembramos da pressão que a Câmara de Leiria (e a população em geral) exerceu para que no Euro 2004 se construísse um novo estádio de futebol. O resultado está à vista, é um “elefante branco”, sorvedouro de dinheiro que poderia (e deveria) ser aplicado em melhoramentos na cidade do Lis. Fátima tem necessidade de um pavilhão de congressos, mas pensado em termos racionais, com um estudo dos custos da sua manutenção, da estrutura humana de apoio ao seu funcionamento e das pre‑ visões (sólidas) de potenciais utilizadores/pagadores. Também precisamos urgentemente de um espaço polivalente de biblioteca/ arquivo/espaço cultural/galeria de exposições, mas que não seja apenas mais um espaço físico sem grande utilização, devido à falta de uma programação que atraia a população jovem e menos jovem. No fundo, temos de olhar para o futuro com os pés bem assentes na terra, para usar um velho ditado português. Até porque muito há para fazer por e pela nossa terra.

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