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Gonçalo Cardoso deixa Consolata Museu

Lazer - 17 de dezembro, 2021
“Vai deixar saudades"

Gonçalo Cardoso cessou funções como director do Consolata Museu – Arte Sacra e Etnologia, depois de ter rescindido amigavelmente o contracto com os Missionários da Consolata, proprietários daquele espaço museológico, que abrandou a sua actividade devido à pandemia de Covid-19. Gonçalo Cardoso não esconde que a instituição “vai deixar saudades”, afinal foram 21 anos de dedicação e trabalho intenso a esta causa, mas o sentimento é também de dever cumprido.

 

“Faço um balanço bastante positivo”, afirma, referindo que “foram anos muito produtivos em que me senti muito realizado, sobretudo nos meus primeiros 15 anos de trabalho. A partir daí, houve uma série de reestruturações em que nos tivemos de adaptar e readaptar e que infelizmente terminaram com a extinção do meu posto de trabalho e com algumas alterações, que esperemos que sejam ultrapassadas para o futuro do museu”.

 

“Foi um trabalho que me enriqueceu do ponto de vista pessoal e profissional. Tive muitas oportunidades de pôr em prática os meus conhecimentos a nível da minha formação, que é História, variante História de Arte. E também a nível da minha formação em termos do ramo do Ensino, porque sou profissionalizado no ensino da História”, acrescenta. Esta especificidade, explica, permitiu-lhe “criar de raiz um serviço educativo, com visitas guiadas ao museu, com recursos adaptados aos diferentes níveis de escolaridade, aos diferentes objectivos, às diferentes disciplinas”.

 

Para Gonçalo Cardoso, seleccionar os momentos mais marcantes ao longo destes 21 anos não é fácil. “São muitos”, afirma. E depois de alguma ponderação, aponta as actividades ligadas à celebração do Dia dos Avós. “Foi o primeiro evento que criei de raiz”, conta, referindo que na altura ainda não se celebrava a data (26 de Julho) no País, só viria a acontecer mais tarde.

 

A ideia de criar a iniciativa foi inspirada numa das peças da colecção de presépios e Meninos Jesus do museu, Santa Parentela. “Não é uma peça muito vulgar”, diz, explicando que representa a Sagrada Família com os avós de Jesus Cristo, Santa Ana e São Joaquim. O facto de os avós terem sido “muito importantes” na formação pessoal de Gonçalo Cardoso também o sensibilizou para esta temática. “Foi uma actividade de sucesso, que teve largas edições. Tivemos grande receptividade, mesmo na comunicação social, com várias reportagens, até na televisão. Foi muito bom! Mas depois tivemos de a suspender, porque o modelo ficou gasto e tivemos de criar outras iniciativas”.

 

Gonçalo Cardoso considera que as “Tardes de Poesia Natalícia” também foram “muito interessantes, porque foi o momento da abertura do museu à comunidade que não era feito até então”. “Fizemos um trabalho muito interessante em que desafiámos as crianças das escolas do primeiro ciclo a criarem poemas inspirados na colecção do museu”, recorda Gonçalo Cardoso, que acredita que a iniciativa também marcou os mais pequenos. “Nos nossos 25 anos, convidámos alguns alunos que participaram nas primeiras edições e que se lembravam perfeitamente da iniciativa. E, ainda hoje, já adultos, gostam de visitar museus”, afirma, salientando que “criar hábitos de visitar museus é o essencial na actividade do museu”.

 

 “Um museu não é só um local onde se expõem objectos, tem de trabalhar com a comunidade, tem de estar aberto à comunidade, isso é essencial”, defende, recordando que “o próprio fundador dos Missionários da Consolata, o padre João Di Marci, quando veio para Fátima, na década 40, contactou com a comunidade, tornou-se amigo de pessoas da comunidade, conheceu a história das Aparições, pessoas que tinham assistido ao milagre, e publicou vários livros com testemunhos e entrevistas. Esse elo não pode ser esquecido. Quisemos que o museu continuasse esse elo com a comunidade e dar a conhecer a realidade que os missionários iam encontrando no mundo, não só aos peregrinos como também aos habitantes de Fátima. E acho que conseguimos dar esse contributo de museu para o bem da comunidade, para o bem desta cidade, com estas parcerias, não só com escolas, mas também com as associações, com a Junta de Freguesia de Fátima”, refere.

 

“Creio que as pessoas aderiam às iniciativas, mediante o nosso espaço, que não é para actividades de massa”, afirma. Exemplo disso, “é a Liga de Amigos, que foi uma verdadeira Liga de Amigos. Fortaleceu esta ligação do museu à comunidade, conseguiu trazer ainda mais pessoas ao museu”, sublinha, fazendo referência à iniciativa “Chá com Arte”, organizada em parceria com a Liga de Amigos. “Trouxemos pessoas de várias áreas, ligadas à cultura, à arte, ao património, à história, à religião, à Igreja. As pessoas aderiam, gostavam, voltavam, repetiam. Creio que demos o nosso contributo, mediante os nossos parcos recursos humanos e financeiros. Mas fomos fazendo o nosso caminho e creio que deixámos marcas. Criámos o nosso espaço, o nosso caminho”.

 

Gonçalo Cardoso olha para o futuro deste museu com alguma apreensão e esperança: “Espero que a tutela tenha consciência de que tem um tesouro nas suas mãos, um espaço diferenciador em relação a outros institutos, um espaço que é muito importante para o meio onde está inserido. É uma forma de evangelização e foi com esse objectivo que o museu foi criado”, salienta, referindo que “alguns dos participantes tomaram contacto com a realidade missionária graças às actividades do museu, de outra forma dificilmente chegariam junto do carisma e da experiência deste instituto. Portanto, é uma mais-valia. Espero que não abandonem este projecto que é único. Ficaria muito triste se não continuasse”.

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