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Agostinho Xavier

8 de May, 2020

"In memoriam"

Perguntaram um dia a Amália Rodrigues, dos guitarristas que a acompanharam, qual deles tinha sido o melhor.

 

De forma sábia respondeu: havia uns melhores que outros, mas todos eram bons, caso contrário não me acompanhavam.

 

No passado dia 23 de Março faleceu em Lisboa o conhecido guitarrista Carlos Gonçalves, natural de Beja, onde nasceu a 3‑6‑1938. Foi em Lisboa que desenvolveu toda a actividade profissional. Autodidacta, começou a tocar profissionalmente com 20 anos, com uma guitarra emprestada, tendo acompanhado os melhores fadistas do seu tempo, com destaque para Anita Guerreiro, em cuja casa de fados se estreou, na Adega da Anita no Parque Mayer, Alfredo Marceneiro, Tristão da Silva, Carlos Ramos, Fernando Farinha, Maria Teresa Noronha, Manuela Cavaco e principalmente para a grande Amália Rodrigues, que acompanhou entre 1968 e 1994 e para quem compôs alguns dos seus grandes êxitos como os fados: Lágrima, Grito, Ai Maria, Amor de Mel, Amor de Fel, Obsessão, entre outros. Deu um contributo importante na divulgação do fado, actualmente património cultural imaterial da Humanidade, dando a conhecer Portugal ao Mundo. Ensinou guitarra e influenciou muitos dos grandes guitarristas da actualidade, utilizando uma técnica muito peculiar e pessoal, na forma como utilizava as apogiaturas e o gemidinho.

 

Deixou viúva Sílvia Ferreira da Silva Gonçalves, natural de São Paulo, Brasil, onde se conheceram em 1994, numa das muitas viagens que efectuou por esse mundo fora, como músico, e com quem casou a 26‑8‑1996. 

 

Perante o desaparecimento desta grande figura de relevo da cultura musical portuguesa é no mínimo, culturalmente miserável o silêncio da comunicação social, principalmente dos canais públicos de televisão e do Ministério da Cultura. Porque tivemos a sorte e o privilégio de o ter como amigo e professor, em jeito de homenagem e despedida aqui fica um poema, que lhe dedicámos:

Silêncio, o fado está mais triste,

Está de luto Portugal.

Chegou a hora, Carlos partiste,

Fica a tua obra imortal.

 

Se Amália já reencontraste,

Diz ‑lhe que muito a amamos.

Pela LÁGRIMA que ambos gerastes,

Lágrimas, por vós choramos.

 

Acorda mestre volta a tocar,

Não acredito que morreste.

Só paraste para repousar,

Simplesmente adormeceste.

 

Acorda mestre, só mais um fado.

Pega na guitarra, por favor.

Um último gemidinho, um trinado.

Adeus, amigo e professor.

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