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José Amaro

4 de agosto, 2022

Através do CAS o Santuário de Fátima acolhe, cuida e ajuda

O santuário de Fátima, através do seu Centro de Acção Social (CAS), instituído em 2006, já ajudou milhares de pessoas através da distribuição de alimentos, roupa, calçado e dinheiro. Segundo a responsável do Centro, Gina Vicente, em 2021, o CAS realizou 661 atendimentos, fez 8 visitas domiciliares e ajudou 91 famílias com bens alimentares. Estas 91 famílias abrangiam 342 pessoas, sendo 287 adultos e 55 crianças.

 

Em 2021 houve um aumento do número de pessoas que se dirigiram ao santuário a pedir ajuda para resolver os seus problemas. O aumento do número em 2021, comparando com os anos anteriores, foi tendência que se continuou a verificar em 2022. As razões para tal aumento foram e são várias, diz‑nos Gina Vicente: convulsões sociais e políticas em vários lugares do mundo, como por exemplo na Venezuela e no Brasil, a guerra na Ucrânia, e sem esquecer é claro os problemas causados pela pandemia que, infelizmente, apesar do tempo que já passou continua a matar e a empobrecer muita gente. O aumento do número de empobrecidos que se verificou no período pós aparecimento da pandemia exigiu uma boa organização ao CAS do Santuário de Fátima, para que fosse possível continuar de portas abertas e a atender as pessoas, que lá se dirigiam, sobretudo um número muito sig‑ nificativo de refugiados de guerra e de migrantes.

 

Uma outra ajuda também muito importante, prestada pelo CAS, diz respeito ao pagamento de medicamentos a pessoas cujas rendas, de tão baixas, não lhes permitiam ter acesso a esse bem. Com o pagamento de medicamentos foram ajudadas, mensalmente, 51 pessoas que assim tiveram oportunidade de canalizar a verba correspondente para outras necessidades.

 

Paralelamente a estas necessidades mais prementes, diz‑nos a responsável do CAS, foram também atendidos pedidos vindos do estrangeiro para ajuda a construir igrejas e capelas, para construções de apoio à pastoral, para reconstruir edifícios destruídos por cataclismos, para promover acções de formação de leigos, ajudas à catequese, abertura de poços para abastecimento de água potável às populações... e outros.

 

Quantificando o número de pedidos de ajuda vindos do estrangeiro, Gina Vicente lembra‑nos que foram 88 e pontualiza: 26 da Índia, 9 de Angola, 9 de Moçambique, 5 do Brasil, 4 de Cabo Verde, 4 do Congo, 2 da África do Sul, 2 da Argentina, 2 da Nicarágua, 2 do Quénia, 2 da Tanzânia, e 1 da Argélia, do Burkina Fasso, Cuba, El Salvador, Equador, Filipinas, França, Haiti, Itália, México, Panamá, Benin, Ruanda, Sudão, Uganda e Venezuela.

 

O acolhimento aos peregrinos que vêm a Fátima a pé

 

Para além das ajudas de vertente mais social e permanente, em que trabalha em parceria com a Segurança Social, o CAS ocupa‑se também, através do Centro de Acolhimento São Bento Labre, com o acolhimento aos peregrinos que vêm a Fátima, a pé, disponibilizando‑lhes 190 camas e um lugar para tomar as refeições. Viajar (peregrinar) é uma prática muito antiga e, segundo um aforismo árabe, existem três tipos de viajantes: em primeiro “estão os que viajam só com os pés”, como acontece com os mercadores que vão de um lugar a outro ignorando qualquer monumento porque para eles a viagem é uma mera questão comercial.

 

Temos a seguir “os que viajam com os olhos”, que se deslocam com fome de beleza como ocorre com os turistas que visitam outros lugares para conhecer monumentos, tradições, paisagens, costumes.

 

Por último, estão “os que viajam com o coração”, os peregrinos. Estes fazem‑no por desejo de encontrar o mistério, ... o transcendente. Acreditamos que entre estes últimos está o maior número dos que vêm a Fátima, a pé... Estes vêm com os pés (a pé), mas também com o coração. E como os que vêm a Fátima haverá muitos dos que vão a Meca, a Jerusalém ou a Santiago de Compostela. O acolhimento aos peregrinos que vêm a Fátima, a pé, assumiu uma forma mais organizada depois que o Santuário sentiu necessidade de dar uma resposta mais cabal àqueles que vinham a Fátima e se dirigiam aos serviços do santuário pedindo ajuda para curar as feridas, um espaço para descansar e uma sopa para “confortar” o estômago.

 

De 2006 até hoje, foram já alguns milhares de pessoas que foram ajudadas pelo santuário e milhares de euros e bens distribuídos por pessoas necessitadas. Com a pandemia, o número de necessitados que pedem ajuda ao CAS aumentou. Hoje, quem necessita ajuda dirige‑se ao santuário e expõe o seu pedido, o qual é depois analisado pela Comissão Fundo de Caridade, que é presidida pelo Reitor do Santuário e constituída por uma equipa de pessoas que trabalham aí e alguns voluntários. Vejamos outros tipos de ajudas pedidos ao CAS do santuário: pagamentos de viagens; pagamentos das mensalidades do jardim de infância; pagamento da água; pagamento do gás; pagamento da renda de casa; pagamento da electricidade, pagamento de exames médicos...

 

Como se faz o acolhimento aos peregrinos a pé?

Nos meses de maior afluência (Maio e Outubro), os peregrinos são orientados para o Albergue do Peregrino junto ao Parque de Estacionamento número 2. Nos meses de menor afluência é feito no Acolhimento São Bento de Labre na rua dr. Sebastião Antunes Vieira. Não se aceitam reservas com antecedência, os peregrinos são atendidos por ordem de chegada e a inscrição é feita a nível individual. Após a inscrição, o CAS disponibiliza uma cama para o peregrino descansar e senhas para tomar uma sopa ao almoço e outra ao jantar e café com leite ao pequeno‑almoço (a alimentação é oferecida só em Maio e Outubro. Nos outros meses é dado só alojamento. 

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