Estando nos locais de entrada nobre de Fátima (as chamadas Rotunda Norte e Sul), as estruturas partidárias semi destruidas dão uma imagem de abandono e degradação. Há um provérbio usado de forma recorrente, "bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz", para ilustrar a incapacidade de praticar os valores que se defendem. Em campanha eleitoral surgem os grandes defensores da moral política e depois, é isto. Com a agravante de alguns continuarem a apontar (e bem, é o seu papel cívico) o que consideram que está mal, esquecendo-se do que (não) fazem em casa própria. É de lembrar que a Câmara e a Junta estão de mãos e pés atados. Em Portugal, a remoção de material de propaganda afixado por partidos políticos constitui crime de dano, punível com pena de prisão até 6 meses e multa.
Fátima sofreu, ao longo dos tempos, importantes melhorias. Permitam-me assinalar, por exemplo, a demolição das barracas de madeira, de venda de bebidas e recordações (foi criado um espaço com as duas pracetas, num desenho arquitetonicamente bem feito), bem como o Plano de Urbanização, que preservou, essencialmente, o espaço do Santuário.
É por isso que ainda hoje em dia continuamos a atrair tantos visitantes, sejam eles peregrinos ou simples turistas. No fundo há (e tem de haver) espaço para todos. A Câmara percebeu esta importância do planeamento quando, ao remodelar a avenida D. José Alves Correia da Silva, criou a Sociedade de Reabilitação Urbana, SRU. O nome diz tudo. Tratava-se de não matar a galinha dos ovos de ouro, dar qualidade estrutural ao centro da cidade, preservando-a de um crescimento caótico e desordenado.
Tenho defendido, em vários momentos da minha actividade cívica, que continua a fazer falta uma SRU em Fátima. Para um estudo profundo do trânsito, da construção de equipamentos, do desenvolvimento sustentado da habitação, etc, etc, que não quebrem a harmonia que ainda hoje existe, que permitam o crescimento sustentado da cidade. Embora havendo um Regulamento Municipal de Publicidade e um Regulamento de Ocupação do Espaço Público, Fátima não merece ser considerada como um caso especial, com um regulamento ajustado à sua realidade?
Leia o artigo completo na edição de m12 de junho de 2026
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