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José Poças

17 de março, 2023

Os romanos e este nosso governo

Somos cada vez mais sobrecarregados de impostos mas depois quando surgem os escândalos relacionados com a subida exagerada dos preços, o governo assobia para o lado e culpa todos, mas mesmo todos, menos quem nos devia governar.

Sirva o exemplo da antiga Roma. O imperador Vespasiano, que governou entre 69 e 79 dC, inventou um imposto para taxar a recolha da urina nos banhos públicos. Repreendido pelo seu filho, Tito, dada a natureza deste imposto, Vespasiano pôs uma moeda de oiro sob o nariz do filho, perguntando‑lhe se cheirava a alguma coisa. Perante a resposta negativa de Tito, o imperador replicou: – E vem da urina. Pecunia non olet! (o dinheiro não tem cheiro!). Assim sendo, o dinheiro é sempre válido, independentemente da procedência. Por certo o nosso estimado governo maioritário ainda não se lembrou de recuperar o Uxorium, um imposto que tinham de pagar os homens que continuavam solteiros na idade adulta.

Há dois milénios, os romanos já inventavam tudo para obter impostos. Qualquer semelhança com hoje em dia não será mera coincidência. Curiosamente, quem diria, no sistema político romano, a corrupção era um fenómeno generalizado e assumido. E logicamente quanto mais poder tinha o político, mais corrupto era. No século I, o escritor Petrónio lamentava‑se com os desfalques, subornos, prevaricações e tráficos de influência que grassavam por todo o Império.

Um nome que se destaca é o de Crasso, que organizou o primeiro serviço contra os incêndios de Roma. Inventou um estratagema que lhe permitiu enriquecer rapidamente. Em primeiro lugar, contratou um grupo de incendiários para ir ateando uns fogos. Quando começava a arder o prédio, Mário Crasso deslocava‑se ao local e exigia aos proprietários uma quantia elevada. Se pagassem, o fogo era apagado pelos seus homens. Caso recusassem a chantagem, deixava a casa arder, sabendo que, invariavelmente, acabaria por comprar a propriedade a baixo preço. Depois de reconstruído, revendia o edifício, com enorme lucro. Havia até paraísos fiscais onde se podiam esconder as fortunas ganhas de forma desonesta. O mais conhecido, no século II, era a ilha grega de Delos. Quando será que nos libertaremos desta fatalidade de tudo o que pode correr mal correr sempre mal? De quando nos anunciam uma onda de calor já sabermos que o país vai come‑ çar a arder? Que quanto mais dinheiro se investe na saúde pública mais serviços deixam de funcionar? Que quando o Estado assina contratos com grandes empresas, acaba sempre aldra‑ bado e quando litiga acaba ven‑ cido? Porque é que nunca mais chega o dia em que adquirimos o direito a viver num país justo, transparente e funcional?

O último grande exemplo romano... perdão, português... é o do antigo ministro da Economia Manuel Pinho que admitiu que cometeu o crime de fraude fiscal de que foi acusado no processo EDP, mas garante que está arrependido. E, por isso, não deve ser punido. Palavra de honra que nem sei comentar isto.

Portanto, caro leitor convém meditar um pouco na nossa história e concluir que a culpa da actual (des)governação de Portugal não é deste fraquinho governo maioritário, nem da acusação que o PS constantemente faz ao governo de Passos Coelho. A verdade, verdadinha, é dos genes que os romanos nos deixaram. São eles os verdadeiros culpados, pois claro. Citando Mark Twain, “por vezes pergunto‑me se o mundo será governado por pessoas inteligentes que estão a gozar connosco ou por imbecis que acreditam realmente no que fazem.”

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