Entre os dias 19 de julho e 4 de outubro de 2025 foi efetuado o levantamento completo de todas as pessoas que nasceram (e foram batizadas), casaram e faleceram na freguesia de Minde, diocese de Leiria, entre 1807, data dos assentos paroquiais mais antigos, e 1911, quando foi constituído o Registo Civil, tendo daí resultado um extenso trabalho de 1.353 páginas em letra Calibri, 10. Foram necessários 78 dias de intenso labor para efetuar a leitura de 5.809 imagens digitalizadas e disponibilizadas pela Torre do Tombo, sita em Lisboa, e pelo Arquivo Distrital de Santarém (ADSTR).
Entre 1807 e 1911, a então paróquia de Minde compunha-se de 4 aldeias, scilicet: Covão do Coelho, Minde, Serra de Santo António e Vale Alto. Numa fase posterior, mais precisamente em 1918, pelo decreto n.º 4.149, de 26 de abril, o lugar de Serra de Santo António tornou-se sede de freguesia.
Através do trabalho supra foi possível apurar que Covão do Coelho teve, entre 1807 e 1911, 202 núcleos familiares; Minde, a maior aldeia, 981; Serra de Santo António, a segunda mais populosa, 555, e, por último, Vale Alto, 68.
Aquando da análise dos dados, verificou-se que a maioria dos matrimónios se realizava entre nubentes das aldeias em questão ou de povoados e freguesias vizinhos, como, aliás, seria expetável. No caso do lugar de Serra de Santo António, observa-se, na documentação coeva, um certo afastamento em relação a Minde, com noivos provenientes da então freguesia de Alvados (hoje, na parte serrana, freguesia de São Bento), concelho de Porto de Mós, e de freguesias inseridas no hodierno concelho de Alcanena, como são os casos de Moitas Vendas e Monsanto. Para as localidades de Covão do Coelho e Vale Alto vinha gente de parte da então paróquia de Reguengo [do Fetal], hoje freguesia de São Mamede, concelho de Batalha, e da de Alqueidão, posteriormente Pedrógão, concelho de Torres Novas. Já Ninhou, isto é, Minde, era uma aldeia habitada por indivíduos originários de povoações mais longínquas, como é o caso de Leiria, de onde era natural a importante família Borges, mas também a família Fontes (à qual pertencia o ilustre cónego Amílcar Martins Fontes, primeiro reitor do Santuário de Fátima), que residia no lugar de Fontes, então freguesia de Cortes, hoje União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes. Além disso, vinha gente de Alcanede, Alcanena, Alcobaça, Bragança (de onde proveio a ilustre família Guedes, do industrial gráfico Justino Guedes), Coimbra, Coruche, Porto de Mós, Ourém, Santarém, Tomar e Torres Novas, entre outras localidades.
Os moradores de Minde dedicavam-se sobretudo à produção de curtumes e de lã, havendo, de igual modo, inúmeros comerciantes e negociantes. A agricultura não tinha, por isso, uma importância tão grande como sucedia nos territórios circunvizinhos, caso do de Fátima, no concelho de Ourém. Também se apurou a existência de "cirurgiões", farmacêuticos, moleiros e sapateiros. Existiam ainda diversos clérigos, entre padres e frades. Não esquecer que Minde dispôs, entre 1731 e 1834, de um pequeno convento franciscano, o Hospício de Santa Ana dos Frades Arrábidos de Minde, onde também laborou uma fábrica ligada aos lanifícios. De destacar também a existência, em 1834-75, de um colégio em Serra de Santo António, cujo ensino era ministrado por frei Manuel da Conceição e por frei José da Conceição. Esta instituição recebeu estudantes dos mais diversos pontos do Portugal de antanho e preparou também imensos intelectuais que seguiram, por exemplo na Universidade de Coimbra, as mais diversas áreas.
O desenvolvimento económico de Minde ao longo de todo o século XIX, como atesta o novo trabalho produzido, e primeira metade de novecentos, permitiu a elevação, em 1963, de Minde à categoria de Vila.
Minde fez parte, até 1892, do concelho de Porto de Mós. Uma vez extinto este, transitou para o de Torres Novas. Por fim, em 1914, passou a integrar o município de Alcanena, onde hoje se encontra.
Legenda: Largo Justino Guedes, no centro de Minde (2017)