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Vítor Frazão

15 de julho, 2022

Fátima: cidade da paz

Convidado a pronunciar-me, aqui vão, ao sabor da pena, algumas considerações.

Se à data, - passe a imodéstia -, presidia à Junta de Freguesia, nesta efeméride, importa chamar à memória e agradecer a todos quantos, de uma ou outra forma e sem escamotear o pendor autárquico, contribuíram para que Fátima obtivesse este e outros (tão) dignos e nobres títulos.

É verdade que a fenomenologia das Aparições de 1917 projectou Fátima, como Santuário Mariano de alcance ecuménico e contribuiu para que fosse elevada à categoria de Vila em 1977, ao estatuto de Cidade em 1997 e, ainda, votada para Concelho em 2003. Todavia, esta ambição, devidamente fundamentada num processo onde mergulhava o inalienável direito à autonomização, fora, imperdoavelmente, negada pelo Presidente da República, ao tempo.

Contudo, sob pena de atraiçoarmos a nossa honrosa história, não devemos olvidar a hercúlea caminhada que os fatimenses percorreram, ao longo dos séculos, desde o seu ancestral povoamento, a resposta dada às convulsões (guerras) nacionais e internacionais e, por fim, a sua independência religiosa e civil, isto é, a respectiva criação como Paróquia e Freguesia.

Este é um tema, de relevo, a desbravar num futuro próximo!

Fátima, é sem dúvida, a CIDADE DA PAZ onde milhões de peregrinos e turistas, impelidos pela fé, auguram alcançar a êxtase do céu. Procuram, tocados pelo fervor, o abrandamento das dores, mágoas e adversidades e buscam, ainda, a tranquilidade espiritual e clamam pela PAZ.

“Nela” é agradável viver numa estreita e saudável coabitação entre a (revitalizada) ruralidade e a área urbano/citadina, porém, perante a evolução e desenvolvimento revelados, é imperioso e urgente ter coragem para reivindicar que, ainda, não é o suficiente. Fátima merece mais… precisa de mais… exige-se mais… muito mais atenção e maior investimento por parte dos poderes: Autárquico e Governo Central.

Bem se sabe o que falta em Fátima e, por isso, é agora ou nunca que os Autarcas Locais devem “bater o pé”, no Terreiro do Paço, exigindo que a apregoada “bazuca” nos contemple com (mais… mais) milhões, pois, “ela” é um espelho de Portugal no Mundo.

Sempre fui, sou e serei um impulsionador da emancipação de Fátima, que traria vantagens evidentes para a Câmara Municipal, permitindo, assim, que aplicasse verbas, de maior monta, na resolução dos problemas do resto do Concelho. Como, alias, contestei (e ainda critico) a aberrante decisão governamental, alicerçada (apenas) numa visão economicista que, em desfavor da proximidade dos eleitos às populações, anexou (em União) algumas freguesias Oureenses.

Sim, defendo FÁTIMA A CONCELHO e, na circunstância, não só louvo as iniciativas do recém-criado Movimento, como me arrisco a pedir que estejamos (todos) ao seu lado. Se em 2003, cortaram as raízes às nossas licitas pretensões, chegou a hora de tocar a rebate… caso contrário, como os velhos do restelo, ficaremos no cais a lamuriar-nos e a vê-los passar.

À boca fechada (como se alguém meta medo… eu, porém, não o tenho), muito se fala sobre a necessidade de restruturar o território da freguesia, de se saber para onde se operará a expansão habitacional, social e económica, de se encontrarem medidas (permanentes) que mitiguem a sazonalidade, de se justiçarem os critérios do IMI, de se equacionarem as infra- estruturas públicas, o escoamento do trânsito pesado e a questão ambiental. Claro, é imprescindível receber, com excelência, quem nos visita, mas… mas sem descurar o bem-estar de quem cá vive.

Mesmo debaixo de críticas, que enfrento, não me escuso de afirmar que a Freguesia de Fátima, mais do que em tertúlias, urge duma equipa que a una e sobre ela reflicta profunda, global, consciente e atempadamente, com vista a um futuro melhor para os vindouros.

Sinto-a órfã dum “FORUM DE DEBATE”, (mediado por uma estrutura apolítica) que inclua a representação de todas as forças vivas (religiosas e civis) e, sem mais delongas, aproveito para desafiar o seu nascimento, com a urgência que se impõe.

 

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