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Duarte da Graça

17 de março, 2021

Afectos em tempo de pandemia

A pandemia, causada pela infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, trouxe consigo profundas alterações na forma como percepcionamos o mundo, a vários níveis, e vivemos os afectos.

No início da pandemia, há um ano, apregoava-se o distanciamento social como forma de minimizar o contágio. Esse distanciamento social já era um facto, muitas vezes próximos fisicamente, mas socialmente distantes. Famílias debaixo do mesmo tecto, à volta da mesma mesa, afastadas, sem diálogo, com défice de afecto, refugiados nas desculpas do trabalho ou “agarradas” à individualidade do telemóvel. A evolução da pandemia trouxe consigo a evolução da terminologia oficial, passando de “distanciamento social” para “distanciamento físico”, reconhecendo a importância do afecto social.

Contudo, se a pandemia, por um lado, trouxe afastamento físico em sociedade, por outro, trouxe oportunidades de proximidade afectiva, em que as famílias se (re)descobriram.

Provamos que ao fim de semana há mais vida para além dos Centros Comerciais, que em casa também é possível organizar jantares do núcleo familiar, jogar e brincar, com e sem recurso à tecnologia.

Os filhos desenvolveram competências de autonomia escolar e os pais (re)descobriram o apoio à educação escolar e à formação humana, motivando momentos de proximidade e partilha de valores e afectos entre pais e filhos.

A natureza foi redescoberta, na sua, ainda, capacidade de regeneração, e de espaço de eleição para passeios e actividade física em família.

Se a pandemia revitalizou os afectos, também colocou a nu a sua carência. É o caso dos idosos, que vivem afectivamente sozinhos e isolados ou aqueles que, sujeitos à lei do vil metal, são emparedados vivos em depósitos de velhos, à espera do afecto que não chega. É nestas alturas que algumas das frases que os meus pais me ensinaram, transmitidas de geração em geração, me fazem reflectir, “filho és, pai serás, como fizeres, assim acharás”.

Após a terceira vaga, podendo surgir outras, sazonalmente, entramos num período que poderá ser de risco, caso não tenhamos os necessários cuidados.

Numa altura em que entra em vigor o plano de desconfinamento, a par com o plano de vacinação em curso, os níveis de confiança vão aumentar, podendo potenciar comportamentos de risco. Este é o momento em que todos temos que continuar a adoptar regras de higiene, como o uso de máscara e de álcool gel, e de distanciamento físico.

Juntamente com o plano de desconfinamento, responsabilidade do Governo, que façamos um plano de desconfinamento de afectos, da nossa responsabilidade, com segurança e esperança no futuro.

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