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Duarte da Graça

24 de September, 2020

Assimetrias geradoras de insegurança (Parte 2)

Na primeira parte do nosso artigo abordamos as assimetrias, enquanto desequilíbrio, resultantes da falta de representatividade política (com o afastamento dos cidadãos das eleições), da centralização do Estado (nas áreas metropolitanas de Lisboa – AML- e do Porto -AMP) e da divergência de rendimentos (regional e de género).

Desertificação – O país está concentrado nas AML e AMP, entre estas e no Algarve. A natalidade, mesmo baixa, apresenta os valores mais elevados no Litoral, enquanto a população mais envelhecida se concentra no Interior. A população nacional está distribuída de forma assimétrica no país. Num ciclo vicioso, que se alimenta a si próprio, não são garantidas as condições para as actividades essenciais no Interior (emprego, saúde …), levando à migração para o Litoral e à desertificação do Interior. 

Fragmentação social – Com um índice de percepção de corrupção moderado, Portugal ocupa a cauda da União Europeia (EU) relativamente ao índice de justiça social. Esta percepção, real ou não, de (in)justiça social tem sido combustível para o aparecimento do extremismo ideológico. A família está em mutação, com mais de 10% dos lares portugueses monoparentais. Os óbitos por transtornos mentais ou comportamentais mais que duplicou de 2013 para 2018. A percentagem de desempregados com ensino secundário ou superior é elevada, atingindo 40%. A fragmentação social tende a agravar-se face ao sentimento de injustiça, potenciado pelo desemprego, numa sociedade cada vez mais formada, esporeada pelo extremismo.
Cibersegurança – Portugal apresenta uma elevada vulnerabilidade ao cibercrime, o que é sustentado, em parte, pelo Índex de cibersegurança. Portugal apresenta uma elevada falta de resiliência no ciberespaço.
Segurança ambiental – Com uma vulnerabilidade significativa a fenómenos climáticos extremos, elevada a fogos florestais, tendo resultado mais de 100 mortos em 2017, Portugal teve um decréscimo no índice de desempenho das alterações climáticas 2020. Acresce ainda a contestação à exploração do Lítio, com apoio da população e de várias ONG. Portugal tem visto a sua qualidade ambiental a degradar-se, num contexto de maior sensibilidade social ambiental, com propensão a manifestações.
Quando Portugal se prepara para a segunda vaga da COVID-19, a Comissão Europeia1 prevê que a pandemia tenha um impacto negativo generalizado nas assimetrias identificadas. Mas este também é um tempo de oportunidades, como sejam a digitalização e descentralização do acesso, nomeadamente, ao trabalho, ao ensino, à cultura e à saúde.

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